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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Congresso mundial de matemática acontecerá pela primeira vez no hemisfério sul, o Brasil foi o escolhido!!

Fazendo as contas para o futuro

Lançamento da campanha de divulgação de congresso mundial de matemática que acontecerá pela primeira vez no Brasil reúne estudantes para uma tarde de números e diversão. Concurso irá propor que jovens criem logomarca do evento internacional.
Um Maracanãzinho lotado. Milhares de pessoas, dos mais renomados pesquisadores de todo o mundo a jovens estudantes brasileiros de todas as idades entusiasmados com a ciência, todos reunidos para ver a abertura de um dos maiores eventos científicos mundiais. No palco principal do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), um brasileiro coloca no peito pela primeira vez a tão aguardada medalha Fields, ‘prêmio Nobel’ da área. Esse é o sonho que a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) quer ver realizado em 2018, quando o Brasil sediará pela primeira vez o evento internacional.
Um dos primeiros passos para essa conquista foi dado na terça-feira passada (18/02), no lançamento da campanha de divulgação do ICM 2018, realizado no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro. No total, 84 estudantes do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e 32 do Colégio Pedro II, do ensino fundamental e médio, puderam se divertir em uma ‘aula prática’ de matemática, um embrião para as atividades de divulgação da área que a SBM pretende realizar nos próximos anos. A Sociedade também quer fazer um concurso entre os jovens brasileiros para definir a logomarca da edição nacional do congresso mundial.

Uma das palestras propôs uma versão matemática do
 reality show O Aprendiz: ou o estudante mostrava como resolver determinado desafio ou era ‘demitido’ (confira mais em ‘Jogo do sapo’, no boxe no fim do texto). Outras exploraram conceitos matemáticos por trás das películas de sabão que podem ser aplicados a diversas áreas, como a engenharia, ou relacionados ao estudo da estrutura do DNA na biologia, por exemplo.Na programação desse evento preparatório, atividades pouco suspeitas de terem relações íntimas com a matemática. Porém, entre jogos, desafios e mágicas, os estudantes tiveram um verdadeiro mergulho nessa ciência – o que só aumentou a diversão. “O objetivo era mostrar essa área como aquilo que ela é: fascinante, cheia de encanto e mistério, capaz de motivar jovens e adultos”, avaliou Marcelo Vianna, matemático do Impa e presidente da SBM.
Os estudantes ainda foram desafiados a construir figuras geométricas e até a jogar uma versão matemática do jogo da velha (confira ‘Jogo do quinze’, no boxe). Para encerrar o dia, uma boa dose de ‘matemágica’: truques mágicos explicados – ou não – pela matemática.
“Estamos acostumados a olhar a beleza do mundo apenas com os olhos, mas existe outra beleza que se enxerga com a mente, mais abstrata, que só entendemos quando temos o conhecimento para isso”, filosofou o matemático José Espinar, do Impa. “As bolhas de sabão, por exemplo, são muito próximas de todos nós, mas também um tema de pesquisa importante, uma área que recebeu a primeira medalha Fields e pode receber a próxima, e foi um pouco dessa beleza que procuramos mostrar.”

Aposta na juventude

A proposta dos pesquisadores é transformar a experiência-piloto em uma espécie de modelo para ajudar na divulgação da matemática – por exemplo, os vídeos das atividades serão disponibilizados na internet para que os professores possam reproduzi-las em sala de aula. Nesse sentido, o matemático Emanuel Carneiro, também do Impa, acredita que o ICM pode ser uma arma poderosa para aproximar a ciência da sociedade. “Vamos fazer um evento voltado para a comunidade científica, mas dentro dele teremos um espaço grande para nossa juventude”, analisou.
Parte integrante desse esforço, o concurso que escolherá a logomarca do evento será lançado oficialmente em breve e estará aberto a estudantes do nível fundamental e médio. A ideia é que a escolha seja feita até agosto, quando acontece a edição deste ano do congresso, em Seul, na Coreia do Sul.
Pela primeira vez desde sua criação, em 1897, o congresso mundial será realizado no hemisfério Sul
“Vamos estimular a criatividade das crianças e dos jovens para produzir uma representação que una matemática, Rio de Janeiro e conexão entre ciência e sociedade”, explicou Carolina Araújo, matemática do Impa. “Em um segundo momento, ela também vai estar associada às diversas outras atividades de divulgação, inclusive virtuais, vinculadas à realização do evento internacional no Brasil.”
Pela primeira vez desde sua criação, em 1897, o congresso mundial, que acontece a cada quatro anos, será realizado no hemisfério Sul. Para Marcelo Vianna, mais do que uma conquista que premia os avanços da matemática nacional, a realização do ICM no Brasil é uma oportunidade para alçar essa área do conhecimento a um novo patamar no país. “Vamos produzir um evento voltado para o passado e o presente do nosso país, mas no qual o futuro também terá espaço fundamental – e o futuro são os jovens”, finalizou.
Para completar o sonho, também falta a escolha de um brasileiro para receber a medalha Fields, maior condecoração do mundo matemático, nunca concedida a um latinoamericano. E isso pode mesmo ocorrer, se não já em 2014, na edição nacional do prêmio, em 2018. Alguns pesquisadores brasileiros, como os matemáticos Fernando Codá Marques e Artur Ávila, ambos do próprio Impa, estão entre os candidatos à láurea, que é restrita a jovens cientistas, com menos de 40 anos. 

Fonte: Ciência Hoje - Uol